Mãe e filha que protagonizaram um ato de racismo ao presentearem crianças negras com um macaco de pelúcia e uma banana estão enfrentando as consequências legais de suas ações. A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio dos perfis de Nancy Gonçalves e Kérollen Cunha nas redes sociais, além da remoção de todos os vídeos que violem os direitos de crianças e adolescentes. A decisão também impõe uma multa diária de R$ 5 mil caso a pena seja descumprida ou sejam criadas novas páginas.
A juíza Juliana Cardoso Monteiro de Barros, responsável pelo caso, ressaltou a ampla repercussão das publicações, que alcançaram cerca de 14 milhões de seguidores nas plataformas YouTube, Instagram e TikTok. Ela destacou que a exposição negativa das crianças pode ter gerado lucros financeiros para as requeridas, às custas da violação de direitos fundamentais e da dignidade humana.
O vídeo compartilhado por Kérollen e Nancy mostrava a entrega de um macaco de pelúcia e uma banana a crianças negras, o que gerou uma intensa reação negativa nas redes sociais. A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) instaurou um inquérito para investigar o crime de racismo. Além disso, o Ministério Público está apurando possíveis infrações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), já que as crianças foram expostas a situações humilhantes.
Críticos classificaram o episódio como “racismo recreativo”, uma forma perversa de discriminação que busca entretenimento e diversão à custa da marginalização de pessoas negras. A advogada Fayda Belo destacou a gravidade do ocorrido, afirmando que o racismo recreativo não é uma piada, mas sim um crime.
As medidas tomadas pela Justiça representam um passo importante no combate ao racismo e na proteção dos direitos das crianças e adolescentes. A sociedade espera que casos como esse sejam tratados com seriedade e que as consequências legais sirvam como um exemplo para desencorajar comportamentos discriminatórios e preconceituosos.



